segunda-feira, 8 de março de 2010

A noite de Kathryn Bigelow



Sete março de 2010 entrou para a história do cinema mundail comoo dia em que uma mulher ergueu pela primeira vez o Oscar de melhor diretora na mais popular premiação do cinema. Quem conseguiu essa façanha foi Kathryn Bigelow, cineasta de Guerra ao Terror. Além de ser premiado E além de ser aclamado o melhor filme do ano passado, o filme levou as estatuetas de Melhor Montagem, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Melhor Roteiro Original.



Quem acompanhou a festa do Oscar na noite de domingo certamente ficou se perguntando o porquê da Academia premiar uma mulher na categoria de melhor direção depois de 82 anos de existência do prêmio mais famoso do cinema. Talvez porque que Kathryn Bigelow não é uma cineasta responsável por filme edificantes, dramas sentimentais e principalmente porque sua filmografia está pautada por produções violentas, dotadas de muita adrenalina e quase sempre masculinas, daquelas que estão nas locadoras em locais destinados a gêneros como ação, terror ou mesmo ficção científica, passando bem longe dos dramas ou comédias românticas.

O mérito desta californiana de 59 anos é fazer filmes com um toque de individualidade que os tornam únicos, daqueles que o espectador pode até esquecer quem fez, mas não esquece a história bem contada. E ela começou a contar histórias em celulóide em 1982 com The Loveless, em que dirigia Willem Dafoe. Alguns anos depois, mais precisamente em 1987, ela enveredou pelo mundo dos (atualmente) tão cultuados vampiros em Quando Chega a Escuridão, contando a história como quem estivevesse no faroeste ( moderno) sangrento.
Em 1990 Bigelow escolheu Jamie Lee Curtis para ser a heroína de seu filme Jogo Perverso, único em sua filmografia com um personagem feminino como protagonista Lee é a policial brutalizada pela profissão e perseguida por um psicopata. A violência do filme chamou tanta atenção que lhe abriu as portas para realizar seu filme seguinte, o primeiro feito por um grande estúdio (Fox) Caçadores de emoção (1991).O filme contava a história de uma gangue de surfistas liderada por Patrick Swayze (falecido no ano passado) que rouba bancos, infiltrada por um agente do FBI (Keanu Reeves). É uma das principais evidências de que Bigelow sabe filmar, seu estilo superando um projeto que seria nada mais do que rotineiro em outras mãos.

Quando da realização de Caçadores de Emoção, Katherine era casada com James Cameron, que, naquele ano, emplacou nas bilheterias com O Exterminador do futuro 2 lançado nos cinemas e concorrente direto nas bilheterias de Caçadores de emoção. Juntos, desenvolveram a interessante ficção científica Estranhos prazeres. Roteirizado e produzido por Cameron, esse filme, como os outros filmes de Bigelow, nunca chegou a ser um sucesso comercial.
Em 2000 Bigelow fez o fraquinho The Weight Of Water, que mal se pagou. Mesmo assim ela consegui que investidores ( produtores) drama claustrofóbico K-9 – The Wdowmaker, sobre um incidente num submarino russo. Mesmo sendo protagonizado por Harrison Ford, o drama não decolou.
Agora Guerra do Terror ganha o Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção e marca a redenção hollywoodiana de Bigelow.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O que ver de Haneke



Violência Gratuita (1997) – Susan­ne Lottar e Ulrich Mühe vivem um casal que vai passar férias no campo com o filho e é atacado por uma dupla de psicopatas. Provocativo, o longa tem cenas de violência que chocaram algumas plateias, mas que pautaram discussões sobre a crueldade dos agressores. Exibido no Festival de Cannes, saiu premiado no Fantasporto.


Código Desconhecido
(2000) – Um incidente numa movimentada avenida de Paris faz se entrecruzarem as trajetórias de cinco personagens que pareciam não ter nada em comum. Protagonizado por Juliette Binoche, o longa aborda a intolerância e a xenofobia na França. Ganhou o prêmio do júri ecumênico em Cannes.


A Professora de Piano (2001) – Melhor atriz (Isabelle Huppert), ator (Benoit Magimel) e prêmio do júri em Cannes, conta a história de uma professora de piano do Conservatório de Viena que tem 40 anos, não bebe, não fuma e mora com a mãe, mas que frequenta cinemas pornôs e peep-shows – até iniciar uma relação repleta de jogos perversos com um jovem aluno.

Caché (2005) – Um de seus longas mais perturbadores, em que Haneke volta a abordar o preconceito na França, agora aliado à desagregação familiar. A história, cheia de suspense, é a de um casal (Juliette Binoche e Daniel Auteuil) que se vê perseguido ao receber, pelo correio, vídeos e desenhos ameaçadores. Melhor direção, prêmio da crítica e do júri ecumênico em Cannes.

Funny Games U.S. (2007) – Refilmagem ipsis litteris do Violência Gratuita/Funny Games original, mas com atores de Hollywood (Tim Roth, Naomi Watts, Michael Pitt), reforça a ideia de provocação do título original – agora fazendo pensar sobre a própria natureza do projeto do cineasta

Onde nascem os monstros




Em seu mais recente longa, A Fita Branca, o diretor de Caché e A Professora de Piano especula as raízes do mal e a gênese do nazismo em um aparentemente pacato vilarejo alemão às vésperas da eclosão da I Guerra


A primeira impressão que tive no começo da exibição de A Fita Branca na tarde de quinta-feira ( 18 de fevereiro) no Lumiere Bougainville foi de estar diante de um filme de Ingmar Bergman. Talvez pelas características físicas dos personagens germânicos ou mesmo pelo fato da produção estar sendo exibida em preto e branco ( mais tarde fiquei sabendo que o filme foi totalmente filmado em cores e alterado para branco-e-preto durante a pós-produção). Quinze minutos depois do início da exibição as ações desenroladas na tela já tinham mostrado mais motivos para a justificar a opinião relacionada a proximidade de A Fita Branca com a obra do cineasta sueco. Como Ingmar Bergmam, o austro-alemão Michael Haneke explora a relação da regidez social com os princípios religiosos e seus complexos de culpa, só para citar alguns dos varios aspectos do filme que no dia 07 de março concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e que conta uma história em que a brutalidade é uma pulsão destrutiva escondida nos grotões mais obscuros da sociedade e da família..

Haneke nunca foi um cineasta fácil, mas sempre foi genial que explora a inaudita violência subjacente à sociedade contemporânea – especialmente a europeia em toda sua filmografia.Ele é um especialista em causar mal-estar no espectador. Se seus filmes são pesados, no entanto, muito se deve ao fato de terem uma densidade dramática monumental e de discutirem temas fundamentais do mundo contemporâneo – a xenofobia, a sociedade de aparências, o fetiche da violência. Foi assim com Caché, que em 2005 ficou com a Palma de Ouro do Festival de Cannnes. E em A Professora de Piano, que ficou com o Grande Prêmio do Júri em Cannes em 2001, onde ele abordou questões como intolerância, o ressentimento de classe, o excesso de conforto que cria pessoas incapazes de lidar com a realidade.


Em A Fita Branca, Haneke lança uma luz ao mesmo tempo reveladora e fugidia sobre o caldo de cultura que propiciou o florescimento do nazismo no seio da sociedade alemã. Não por acaso, o filme é ambientado na Alemanha pré-Primeira Guerra Mundial. Focado numa pequena vila que aparentemente ainda vive num regime plenamente feudalista, o roteiro do próprio diretor aborda uma série de incidentes violentos que tomam o lugarejo de surpresa sem que os habitantes consigam identificar o(s) autor(es) das ações. Já na cena de abertura, o médico local está voltando para casa, a cavalo, quando sofre um acidente misterioso. A seguir descobre-se que se tratou de uma armadilha, e que novos crimes ainda mais cruéis irão ocorrer.Enquanto tentam compreender exatamente o que está acontecendo, aqueles indivíduos são obrigados a lidar com suas próprias crises internas, desde confrontos entre pais e filhos a protestos mais chocantes sobre a natureza do trabalho e da remuneração oferecidos pelo Barão que domina o local. Em meio a tudo isso, o pacato professor da única escola da vila tenta trazer algum sentido para o que testemunha enquanto vive uma profunda paixão por uma jovem babá. É ele que narra a história. Sua posição é a de quem está adiante no tempo, olhando para trás, ao mesmo tempo lembrando e tentando entender o que se passou. As intenções de Haneke ficam claras quando a voz do narrador em off afirma, literalmente, que a forma como o povoado lida com aquilo tudo pode ter sido um prenúncio dos eventos que sucederiam no país todo, anos depois.





Aos poucos, a misteriosa série de violências cometidas indistintamente contra crianças e adultos do lugar insinua uma espécie de ritual de punição, cujos objetivos e algozes não se apresentam com clareza exata. O que cintila em A Fita Branca é a fonte de autoritarismo, rigor e insensibilidade onde a ideologia nazista bebeu e encontrou forças para disseminar-se. De maneira quase pedagógica, Haneke demonstra ao longo do filme como aquela Alemanha em microcosmo viva sob a égide desses valores, reproduzidos no âmbito do poder público, da escola, da igreja e do lar.

O roteiro também demonstra como não havia distinção de classe quanto à filiação a esses princípios – da aristocracia rural,representada pelo barão, ao camponês mais simplório, passando pela burguesia do médico e do clero, representada pelo pastor, todos os adultos do vilarejo impõem uma educação severa e brutal aos filhos. O Pastor vivido por Ulrich Tukur, por exemplo, surge como um verdadeiro monstro em seus esforços de “educar” os vários filhos através da repressão de qualquer manifestação de individualidade ou curiosidade – e a “fita branca” que dá título ao projeto e que ele encara como um símbolo de “inocência e pureza” é, na realidade, uma amarra do próprio espírito humano.

É impossível ignorar que os jovens vistos ao longo da projeção são integrantes daquela geração que finalmente levará o Nazismo ao poder, propiciando uma das maiores tragédias sociais, políticas e humanas da história. E não é difícil perceber que, de acordo com Haneke, esta catástrofe se tornou inevitável a partir do momento em que acompanhamos a juventude sendo corrompida pela amarga, ressentida e apodrecida geração anterior.



Ainda que a referência ao nazismo seja evidente, inclusive na etiquetação das pessoas como forma de segregá-las das demais – que seria repetida por Hitler com os judeus –, Haneke disse em uma entrevista publicada na revista americana New Yorker no final do ano passado, Heineke reiterou que prefere que A Fita Branca seja compreendido para além da especificidade da história: “Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles”.






Como no título do primeiro e impactante filme alemão rodado depois da II Guerra, Os Assassinos Estão Entre Nós (1946), o diretor lembra nessa obra-prima que é A Fita Branca que, a despeito de suas mais íntimas e singulares perturbações, os monstros também são fruto das sociedades em que convivem. E no filme, como na vida real,barbaridades são cometidas em nome da religião, dos bons costumes e do bem estar da sociedade.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um 'noir' com as cores de Almodóvar



A metalinguagem é o principal elemento de Abraços Partidos, o 17º filme da carreira do diretor e roteirista espanhol Pedro Almodóvar. Ele já tinha demonstrado o seu amor pelo cinema em produções como Má Educação e Fale com Ela e autorreferências em diversos outros filmes. Mas em Abraços Partidos Almodóvar vai mais longe e resolve levar essa metalinguagem ao extremo, realizando dois filmes ao mesmo tempo; uma comédia ( sua especialidade) e um filme noir, com todos os elementos imortalizados pelo gênero. O resultado fica acima da média porque, um Almodóvar, ainda que menor, é sempre um Almodóvar e não há como não respeitar a capacidade, talento e criatividade do espanhol.

No primeiro filme de Abraços Partidos, o espectador conhece um ex-cineasta e roteirista cego, Mateo Blanco (Lluís Homar). O ano é 2008. Desmotivado com a impossibilidade de exercer sua profissão por completo, ele prefere ser chamado de Harry Caine e não perde a chance de vender sua capacidade de escrever para diretores comerciais. Caine divide um pequeno apartamento com sua agente Judit Garcia (Blanca Portillo) e seu filho Diego (Tamar Novas), mas nada impede que eventualmente ele traga seus casos amorosos para casa. A visita de um jovem que se diz cineasta, no entanto, traz de volta a lembrança do grande amor de sua vida, uma bela e talentosa atriz, com quem viveu há 14 anos.

A jovem em questão é Lena ( ou Madalena),uma jovem que sempre sonhou em ser atriz mas que trabalhava como secretária do famoso empresário Ernesto Martel (José Luis Gomes) e que nos momentos de aperto financeiro, se transformava em uma garota de programa. Quando o pai da moça precisa ser tratado de um câncer, ela acaba se transformando em amante do patrão com quem vive durante dois anos. A coisa muda quando ela resolve fazer um teste para participar da primeira comédia de Mateo Blanco. Garotas e Malas a afasta do empresário e a leva para os braços de Blanco, em uma paixão tão tórrida quanto proibida.

O melhor do filme é certamente Almodóvar mostrando ao público como se faz um filme de Almodóvar, um filme de autor. O cineasta defende, como nenhum outro, o cinema autoral. A pré-produção, as filmagens e a pós-produção são mostradas como etapas que necessitam da participação direta do diretor da fita, pelo menos se o seu interesse é defender uma visão única de mundo ou de cinema. E Mateo Blanco faz questão de trabalhar intensamente. Garotas e Malas, o filme dentro do filme, é um Almodóvar à antiga: releitura kitsch de comédias de relacionamento e de melodramas hollywoodianos dos anos 50. Ao mesmo tempo Garotas e Malas se apresenta como uma releitura de Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos (1988), comédia que serve de contraponto, ajudando a ressaltar o drama vivido Mateo Blanco e Lena nos bastidores do filme.



O lado comédia de Abraços Partidas só ressalta a capacidade de Almodóvar em explorar esse gênero cinematográfico. Se o suspense do filme deixa a desejar, o lado comédia funcional perfeitamente. E a maior parte das risadas são resultado das participações especiais de atrizes que costumavam trabalhar com o diretor , entre elas Kiti Manver, Chus Lampreave e Rossi de Palma. Outro personagem com uma função cômica é Ray-X ou Ernesto Junior, o filho gay de Ernesto Martel que busca vingança contra o pai. Embora seu papel seja seja prejudicado pelo roteiro ao não lhe dar um final e um desenvolvimento apropriado, a atuação de Rubén Ochandiano compensa tudo, com os seus trejeitos femininos e personalidade psicopata.

Atuando em sua língua materna Penélope Cruz é o grande trunfo dos dois filmes. Se o filme fosse simplesmente ruim ainda assim valeria a pena pelas cenas em que Penélope Cruz aparace fazendo caras e bocas de Audrey Hepburn. Não há expressão de cinefilia mais pura e descomplicada do que o entrosamento entre diretor e atriz.

Não convém falar muito de Abraços Partidos, mas vale dizer que o filme se destaca em alguns aspectos, como o fato de ser um filme noir com as cores saturadas que tornam o cineasta uma referência e principalmente por mostrar Almodóvar apaixonado por suas comédias, pelo cinema e por Penélope Cruz e por sapatos vermelhos de salto alto.



FICHA TÉCNICA
Diretor: Pedro Almodóvar
Elenco: Penélope Cruz, Lluís Homar, Ángela Molina, Carmen Machi, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas, Rubén Ochandiano.
Produção: Agustín Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Fotografia: Rodrigo Prieto
Trilha Sonora: Alberto Iglesias
Duração: 128 min.
Ano: 2009
País: Espanha
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: El Deseo S.A. / Universal International Pictures
Classificação: 14 anos

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A melhor série de TV





Criminal Minds chegou ao seu seu 100º episódio. Uma marca sempre muito comemorada por todos os envolvidos na produção. Como era de se esperar, o episódio justifica o fato da série ter alcançado a 100 episódios e com certeza vem muito mais por aí. Hotch finalmente encontra George Foyet e não conto mais para não estragar a surpresa de quem não viu ainda. Só garanto que o episódio é eletrizante.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Para quem gosta de listas




Pensando no cinéfilo que adora listas, a editora Larousse lança o livro 501 Filmes que Merecem Ser Vistos, uma seleção do que há de melhor no cinema mundial. Uma obra que lista e comenta filmes na visão de seis conceituados críticos. Ann Lloyd, da Revista The Movie, Rob Hill expert em cinema que trabalha com pós-produção em uma das mais importantes companhias no Reino Unido, Ronald Bergan, crítico do jornal The Guardian, Chris Darke colaborador do The Independent, Cara Frost-Sharratt, crítica e escritora e Paulo Frost-Sharaat, especializado em resenhas críticas na internet assinam a publicação.


A obra revela ainda a evolução da carreira de diretores, atores roteiristas conquistas fantásticas no campos de efeitos especiais - antes e depois da imagem gerada por computador - extraordinárias experiências cinematográficas, comentários socais estreias e atuações memoráveis.

Os títulos selecionados pelos autores estão organizadas por gênero: aventura, ação e épicos, comédia, drama, terror, musical e romance, ficção científica e fantasia, mistério e suspense, guerra e faroeste. Em seguida o grupo de críticos faz uma análise da carreira do diretor, ator, enquadramento, entre outros minuciosos aspectos que fazem um filme entrar ou não para a história do cinema.

Cada obra inclui uma breve sinopse do enredo, ficha técnica com a lista completa do elenco, produção e direção, listas de indicações e premiações concedidas pela Academia de Artes e Ciência Cinematográficas de Hollywood, responsável pelo Oscar e principais festivais de cinema do mundo. Não poderiam faltar aquelas informações dos bastidores de uma filmagem que dão conta dos atritos entre atores e diretores, ajustes durante a captação de cenas e peripécias da equipe técnicas para conseguir produzir a imagem tal qual descrita no roteiro.

Nos textos, todos bem ilustrados, destaque para avaliação de A Um Passo da Eternidade, filme de Fred Zinnemann realizado nos Estados Unidos em 1953, com as estrelas Burt Lancaster e Deborah Kerr. Para Ronald Bergan. o filme, baseado no romance de 859 páginas de James Jones, que trata de assuntos controversos como prostituição adultério violência e alcoolismo tem realismo de documentário.


Ficha Técnica
Nome:501 filmes que merecem ser vistos
Autores
: Ann Lloyd, Rob Hill, Ronald Bergan, Chris Darke, Cara Frost-Sharrat e Paul Frost- Sharrat.
Editora:Larousse.
Páginas: 544 págs.
Preço sugerido: R$ 99.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Freud além da alma - Cult em DVD


Inédito em vídeo e DVD no Brasil, o clássico Freud, Além da Alma (Freud, EUA, 1962, 135min) finalmente chega ao mercado nacional em lançamento especial da distribuidora Versátil O filme do diretor John Huston (1906 – 1987) sobre o nascimento das pioneiras teorias de Sigmund Freud (1856 – 1939) foi editado em DVD duplo, incluindo um documentário sobre a passagem do pai da psicanálise pela Universidade de Viena.

A DVD traz ainda um depoimento nos extras do do psicanalista Renato Mezan que ajuda a contextualizar a importância das revolucionárias ideias de Freud e ressalta o interesse pela vida do médico austríaco avivado na época da filmagem pela publicação de obras como a reveladora correspondência com o médico alemão Wilhelm Fliess – amigo e colaborador com quem Freud dividia suas primeiras teses e intuições sobre a mente.


O primeiro roteiro do filme de John Huston foi assinado pelo filósofo e escritor francês Jean Paul Sartre em 1958. Ele entregou ao cineasta americano uma primeira versão infilmável – seriam necessárias mais de 12 horas para dar conta da história. Depois de uma segunda versão, igualmente longa e rejeitada, Huston dispensou Sartre, que exigiu a retirada de seu nome dos créditos. Mas no lançamento da Versátil, o nome do filósofo estpa listado ao lado doa outros roteiristas:Wolfgang Reinhardt e Charles Kaufman ( este último autor de Adaptação e Mais Estranho Que a Ficção.

O roteiro cobre o período da vida de Freud desde sua graduação em Medicina na Universidade de Viena até o desenvolvimento de suas primeiras teorias psicanalíticas, relacionando suas descobertas acerca do funcionamento do inconsciente humano às suas experiências pessoais. Ao tratar uma jovem histérica e sexualmente reprimida, Freud formula o conceito do Complexo de Édipo. Com ótimos diálogos e direção magistral de John Huston, Freud, Além da Alma é uma excelente introdução às idéias do criador da Psicanálise.

Interessante é a forma com que o filme mostra que a invenção da psicanálise não
foi apenas um embate com os pacientes, mas de Freud consigo mesmo. Não é que teve apenas de lutar contra resistências externas e internas para desenvolver suas ideias e chegar à verdade do inconsciente. Na verdade foi a neurose de Freud ( segundo o filme, é claro), que lhe deu elemtos para descobrir o mecanismo geral do psiquismo e o fator sexual inconsciente que está em sua base.

Na pele de Freud está o ator Montgomery Clift tem uma atuação que empresta humanidade a essa figura quase mítica. Homossexual não assumido, alcoólatra, viciado em pílulas desde que um acidente de carro desfigurou-lhe as feições, o atormentado astro encarna um Freud crispado, que oscila entre a autoconfiança e a dúvida enquanto avança e retrocede em suas teses sobre histeria, projeção psicanalítica, sexualidade infantil, interpretação dos sonhos e complexo de Édipo.

Filmado em preto e branco, Freud, Além da Alma foge bastante dos padrões das cinebiografias por não fixar-se na história do personagem, mas por acompanhar o início de sua carreira e a base da formulação de suas teorias, que acabaria gerando anos mais tarde, a própria psicanálise. A fotografia em preto-e-branco ajuda a ressaltar o clima onírico, referindo a acontecimentos que muitas vezes não se tem certeza se são reais ou frutos da mente do médico ou de seus pacientes. Algumas das cenas, as que recriam sonhos relatados por pacientes, chamam atenção esteticamente, reforçando o fato de tratar-se de uma produção caprichada.




Freud, Além da Alma (Freud: The Secret Passion

(Freud, EUA, 1962)
Produtora(s): Universal International Pictures
Diretor:
John Huston
Roteirista(s): Charles Kaufman, Wolfgang Reinhardt, Jean-Paul Sartre
Elenco: Montgomery Clift, Susannah York, Larry Parks, Susan Kohner, Eileen Herlie, Fernand Ledoux, David McCallum (2), Rosalie Crutchley, David Kossoff, Joseph Fürst, Alexander Mango, Leonard Sachs, Eric Portman, John Huston, Victor Beaumont.
Distribuição: Versátil
Preço sugerido: 70 reais ( em média)