segunda-feira, 13 de abril de 2009

Os limites da consciência



Uma família desmembrada por força de pequenos segredos que se tornam enormes mentiras tenta desesperadamente permanecer unida e recusa-se a aceitar a Verdade. Para evitar fazer face a pesadas provas e responsabilidades, eles escolhem ignorar a Verdade, e recusam ver, ouvir ou falar sobre ela, como na fábula dos Três Macacos

Quase todo mundo já viu alguma versão da célebre figura dos três macacos. Um cobre os olhos com as mãos, outro cobre as orelhas, o terceiro a boca. A imagem original está esculpida num templo japonês e materializa um provérbio do Japão, segundo o qual não se deve ver o mal, ouvir o mal, falar o mal – se ninguém visse o mal alheio, nem o escutasse, nem falasse dele, a humanidade viveria em harmonia. A lenda é a metáfora do título de Três Macacos, do cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, que conta a história de uma família dilacerada, que tenta se manter unida apesar de seus segredos.

O Filme foi exibido em Cannes no ano passado, valendo ao seu realizador o prêmio de melhor diretor. A produção chegou a ser apontada como uma das fortes candidatas à Palma de Ouro, prêmio máximo do festival, mas acabou perdendo para Entre Os Muros da Escola. Mas Cannes continua sendo o maior responsável pela divulgação internacional do trabalho do cineasta turco. Lá foram exibidos, por exemplo, Climas (2006), que estreou no Brasil só em 2008, e Distante (2002), vencedor dos troféus de melhor ator e o Grande Prêmio do Júri naquele festival, mas que continua inédito em circuito comercial brasileiro.

Três Macacos é um presente para os cinéfilos – principalmente aqueles que acreditam que a arte está, antes de tudo, na diversidade. O filme de Ceylan aposta na valorização dos primeiros planos dos seus protagonistas, o que exige a escalação de atores capazes de transmitir emoções complexas não raro num único olhar. E consegue isso de seu admirável trio de intérpretes, Yavuz Bingöl, Hatice Aslan e Ahmet Rifat Sungar, respectivamente como o pai, a mãe e o filho de uma família pobre corrompida por um político (Ercan Kesal). O filme está longe de ser uma produção fácil de se ver. Isso porque ele se propõe a desafiar o espectador a cada cena, em um intenso exercício de forma e conteúdo.É como se ele propusesse desafios ao espectador a cada cena. É um exercício clássico de forma e conteúdo na qual a história acaba se tornando irrelevante. A forma com que ela é apresentada, porém, é o que faz de Três Macacos um exemplo de bom cinema.

Por que o filme não é fácil? Talvez por causa de sua lentidão, que , no entanto, está longe de ser uma falha da produção. É, antes sim, um recurso que valoriza o ritmo calmo e introspectivo da produção. O diretor usa os longos silêncios, os quadros estáticos, e a ambientação e a fotografia a serviço da psicologia dos personagens. A falta de comunicação dos integrantes da família é dada pelo uso constante do primeiríssimo plano, em que sentimentos são expressados não pela palavra mas sim pela troca de olhares, suor das faces, ou cabelos molhados. O aprisionamento dos personagens naquele mundo em que nada se fala, nada se vê e nada se escuta, é acentuado pela preocupação da câmera em bem diagramar o espaço interno do apartamento. As cenas externas, embora poucas, são marcantes. Em uma delas, a mãe debruça-se sobre a grade do cais, frente ao mar, e o céu cinzento parece que vai desabar sobre ela, acentuando sua dor e solidão. Em pinceladas rústicas, sem muitos diálogos, o filme requer a participação ativa do espectador para preencher suas lacunas e escutar a fundo a alma dos personagens.


No começo da história, o político Ercet (Ercan Kesal) atropela e mata uma pessoa numa estrada, numa noite chuvosa, em que ele dirigia com muito sono. Ele foge e convence, então, seu motorista Eyüp (Yavuz Bingöl) a assumir o crime, para não enfrentar um escândalo na véspera de uma nova eleição. Como compensação, faz-lhe a promessa de uma boa soma em dinheiro no final da pena de prisão que o motorista terá de cumprir, além de garantir mensalmente seu salário à mulher e ao filho.
Tentando realizar um sonho profissional do filho deslocado no mundo, Ismail (Ahmet Rifat Sungar), a mãe Hacer (Hatice Aslan) recorre ao político para um empréstimo em dinheiro. O encontro leva à sedução da mulher e acelera a desagregação moral deste núcleo familiar, que esconde outros traumas. O principal deles, a morte de um filho quando criança (Gürkan Aydin) - que aparece, como fantasma, em duas cenas memoráveis. A imagem desse irmão numa foto na parede da sala, remete o espectador a um passado de maior cumplicidade entre aquela família, em que seus três macacos se falavam, se viam e se escutavam.

O filho desconfia do envolvimento de sua mãe com Servet. Ao constatar o ocorrido, é violento com ela. Ao visitar o pai na cadeia, contudo, esconde-lhe a verdade. Nove meses depois, o motorista sai da prisão e espanta-se com o horror. Sua mulher o trai com o político e seu filho único fracassou nos estudos. Acostumada a não falar sobre seus conflitos, a família não poderá, desta vez, jogá-los para baixo do tapete. A violência latente e real aos poucos terá que se definir sobre o rumo a tomar.

Se a metáfora dos três macacos é boa e representa as coisas que os membros daquela família escolhem não ver, ouvir ou falar para manter um certo equilíbrio na vida domiciliar quando a imoralidade vem visitá-los, eles logo descobrem que esse equilíbrio não passa de uma perigosa ilusão.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O implacável Walt Kowalski








O protagonista de Gran Torino é mais um personagem profundo criado por Clint para questionar os valores da vida frente às adversidades





A estante de Clint Eastwood está abarrotada de prêmios, entre eles, quatro estatuetas douradas, de melhor filme e diretor para Os Imperdoáveis, em 1992, e as mesmas categorias para Menina de Ouro, em 2005. Um espaço, porém, parece destinado a permanecer vago: aquele reservado ao Oscar de melhor ator. Com 78 anos de idade, 52 deles dedicados à carreira, o veterano avisou que sua atuação em Gran Torino, em cartaz em circuito nacional, será sua última participação no cinema como ator. Mas o ator que completa 80 anos em maio, está longe de se aposentar. Atualmente está no set filmando a cinebiografia do escritor Mark Twain.




Os anos passam e, invariavelmente, o ator, diretor e produ­tor – ou seja, autor de cinema - continua impressionando. Em Gran Torino, ele o faz oferecendo ao público o trabalho de um autor que não apenas narra bem e levemente, mas registra o tema do envelhecimento de forma totalmente coerente com a sua própria trajetória. Ele dá a sua cara a esse tema, da mesma forma que o fizera em Os imperdoáveis (1992), em Cowboys do Espaço (1999) e até mesmo em Menina de Ouro, de 2004.
Clint decidiu finalizar o arco de suas atuações como Walter Kowalski,um veterano da Guerra da Coreia que acabou de perder a esposa depois de um longo casamento. Ele não se dá com os filhos e muito menos com as noras. Mora num bairro agora habitado por imigrantes. Ele próprio é um americano violento, meio racista que , hasteia a bandeira na porta da casa, foi à guerra da Coréia, trabalhou para a Ford durante 50 anos e condena o filho por vender carros japoneses. O velho rabugento detesta ver sua vizinhança tomada por asiáticos, no caso, integrantes da comunidade Hmong (grupo étnico de imigrantes originário de uma região próxima ao Vietnã e ao Laos), povo que os EUA herdaram depois da Guerra do Vietnã. Walt desconhece noções de correção política e guarda ainda memórias duras da Guerra da Coréia, onde lutou muito jovem e parece uma versão madura do politicamente incorreto Dirty Harry, policial durão que fez a fama de Eastwood nos anos 70 em filmes como Perseguidor Implacável e Dirty Harry na Lista Negra. Ranzinza, preconceituoso, machista, Walter passa seus dias sentado na frente de casa vendo o movimento da rua, tomando cerveja em grandes quantidades e xingando seus vizinhos. Sua única paixão está na garagem. Um carro de 1972 sempre limpo, bem lustrado, mecânica perfeita. O Ford Gran Torino de Walt Kowalski é o último resquício de uma época que não existe mais, em que os Estados Unidos eram um país próspero, com uma forte indústria automobilística e sem imigrantes espalhados por todos os cantos. Um tempo de que Walt Kowalski sente saudades.




A vida de Walter começa a mudar quando ele se envolve com seus novos vizinhos depois que Thao (Bee Vang), garoto adolescente é levado a tentar roubar o Gran Torino pressionado por uma gangue de jovens Hmong que querem tomá-lo para o mau caminho. Kowalski flagra o moleque e de espingarda em punho o põe para correr, fato que não agrada a gangue, que insiste que Thao cumpra a missão. É quando Walt enfrenta sozinho a gangue que aterroriza o bairro. Resultado: o ranzinza americano passa a ser visto pela vizinhança como herói. Famílias Hmong vêm de todos os cantos para agredecê-lo não apenas por ter salvo o menino da influência dos bandidos, mas para homenageá-lo. E Walt não consegue se livrar dos vizinhos que aprentemente odeia, principalmente Thao. Como penitência e ao mesmo tempo um pedido de desculpas, a família de Thao o obriga a trabalhar para Kowalski, em serviços domésticos ou naquilo que o solitário homem precisar. Não se sabe se o castigo é para Thao ou para o velho militar.




Os embates entre e Walt e a gangue asiática que não se conforma com o bom comportamento de Thao formam os momentos mais Dirty Harry do filme e provam que Clint Eastwood sabe manipular a imagem da forma que deseja. Ele sabe que, quando o espectador o vê de cara fechada, com ódio mesmo, tende a se lembrar do personagem dos anos 70. Walt não leva desaforo para casa, e consegue impor sua moral, mesmo tendo quase 80 anos, com o grupo de jovens inconseqüentes. Gran Torino fica nesse meio: ao mesmo tempo em que mostra um Walt sem medo de tirar sangue dos outros, também é um retrato do racismo, já que em ele
nunca esconde seu desprezo pelos vizinhos. Isso, claro, até Thao começar a cativá-lo. É uma evolução interessante. Walt baixa a guarda, supera a própria resistência e o preconceito, e se aproxima dos vizinhos, criando laços de amizade e percebendo que tem com eles mais identificações do que com os próprios filhos.




A improvável amizade entre Thao e Walter remete o velho à figura paternal de Menina de Ouro, lembrando ainda o forasteiro que se torna defensor de uma comunidade em O Cavaleiro Solitário, que o diretor realizou em 1985. É a amizade que faz com que Walter reveja seus seus conceitos e perceba como as relações afetivas são muito mais calorosas do que o ronco de um motor. E com a ajuda da irmã mais velha de Thao, Sue (Ahney Her), há uma engraçada aproximação do velho racista americano com os seus vizinhos, obstáculos que começam a ser superados não só através de conversas muito humanas, comida e cerveja.






Em tempo: Fabricado pela Ford entre 1968 e 1976, o GranTorino é considerado um intermediário entre o Fairlane, carro dos anos 60, e o Mustang, que o substituiu na década seguinte. O design esportivo e o pouco tempo em que foi comercializado são responsáveis pelo culto ao modelo nos EUA.



Gran Torino (2008), 116 min.
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Nick Schenk, Dave Johannson
Elenco:Com: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her, Brian Haley, Geraldine Hughes, Dreama Walker

sábado, 7 de março de 2009

Entre a culpa e os limites do perdão
















Uma reflexão filosófica sobre a lei versus a moral, uma equação sobre a abrangência da culpa e os limites do perdão, um questionamento sobre o nazismo, a culpa coletiva e banalidade do mal. Estas são algumas das questões abordadas pelo filme O Leitor, de Stephen Daldry,em cartaz em Goiânia desde sexta-feira ( 6 de março). A produção inglesa que deu a Kate Winslet o Oscar de Melhor Atriz, é baseada no famoso livro best seller de mesmo nome ( lançado no Brasil pela editora Record) e parte do princípio de que pequenas ações podem mudar totalmente a vida das pessoas e o destino de quem está a sua volta.





A primeira vista, a trama conta uma história de amor, que dura apenas um verão, entre o adolescente de 15 anos Michael Berg (vivido quando jovem por David Kross e já na fase adulta por Ralph Fiennes) e a misteriosa Hanna Schmitz (interpretada brilhantemente por Kate Winslet), um mulher solteira de 35 anos que trabalha como cobradora de passagem de bondinhos, na Alemanha pós 2ª Guerra Mundial. Hanna inicia o garoto ( ela nunca diz seu nome) no sexo com particular desvelo. As sessões de sexo são intercaladas de leituras de grandes clássicos que ela insiste que o garoto leia em voz alta. Horácio, Homero, Tolstói, Tchékhov, Schiller. Um dia a mulher desaparece sem deixar rastros. Michael vai reencontrá-la oito anos mais tarde: ele como estudante de direito; ela no banco dos réus. Na Siemens, era uma das encarregadas de selecionar mulheres para o campo de concentração e a morte.




Quem conhece a trajetória do diretor Stephen Daldry sabe o que esperar de O Leitor. O cineasta britânico é um especialista em dramas vigorosos em que suas personagens são levadas a situações-limite. Foi assim com Billy Elliot e As Horas, que deu o Oscar de melhor atriz a Nicole Kidman. Seguindo a cartilha de Daldry, Michael, levado a assistir o julgamento de criminosos nazistas, tem de enfrentar seus valores, seu modo de encarar as leis, o seu próprio sentimento e a moralidade.





É nesta parte do filme que aparece o questionamento: quanto custa um segredo? Ou melhor, quanto vale a verdade? Pequenas ações e palavras podem mudar totalmente as nossas vidas e o destino de todos que estão a nossa volta. Hannah tem seus motivos para guardar um segredo que, senão a livraria da culpa pelos crimes pelos quais esta sendo julgada, pelo menos minimizaria a pena. É nesse contexto da vergonha e do segredo que duas vidas se modificam. Trazendo a trama para o cotidiano da vida real, quantas vezes uma atitude sem pensar, uma mentira ou até mesmo uma omissão podem mudar não só a sua vida, mas a vida das outras pessoas. É em torno desse dilema ético que Stephen Daldry consegue transformar O Leitor numa em um filme plural: um romance sobre um grande amor proibido, um drama de tribunal que investiga os limites da Justiça, um novo olhar sobre as culpas pela guerra, um estudo sobre como a personalidade dos culpados interfere na história.





E o público, que conhece o segredo de Hannah, se surpreende com a frieza com que ela interage com os problemas. Ela é prática e racional: "Os mortos já estão mortos. O que sinto ou deixo de sentir não os trará de volta". Ela sabia o que fazia? “Sim”. E por que o fazia? “Porque era o meu dever”. Ou ainda: “Porque novas mulheres chegavam, e não havia lugar para todas”. E pergunta ao juiz:” O que o senhor teria feito em meu lugar?”





Michael assiste aos depoimentos com a alma devastada. Ao mesmo tempo, no curso de direito, um professor indaga se países são governados pela moral ou pelas leis. É a culpa coletiva e a banalidade do mal. Os responsáveis pelos genocídios nos campos de concentração tem mesmo culpa? E o professor questiona não a culpa moral, mas a culpa legislativa – como professo de Direito que é. Durante a guerra, a Alemanha aceitava o genocídio dentro de suas normas legislativas. O que acontecia, segundo o professor, era simplesmente o cumprimento da lei. E se alguém tinha de ser condenado, deveria ser os responsáveis pela promulgação da lei.




Deixando a história de O Leitor de lado, partimos para a análise do filme. Em primeiro lugar, a produção demostra, mais uma vez, que Stephen Daldry é um excelente diretor de intérpretes, capaz de trabalhar, com a mesma intensidade, com estrela de primeira grandeza como Kate Winslet e um ator iniciante como David Kroos, que interpreta o jovem Michael. Kross exibe uma excepcional interpretação, ajudando na construção do jovem e do universitário Michael, sabendo compreender o personagem e dosar cada situação emocional do personagem.





Kate Winslet confirma, uma vez mais, ser uma atriz de completo domínio da técnica de interpretar, da mesma forma que pode ser conferida em Foi Apenas um Sonho, de Sam Mendes. Aqui ela encarna a complexa personagem com muita determinação e vigor, fazendo com que o destaque de sua caracterização se posicione principalmente na maneira de Hannah caminhar, como se lhe pesasse o fardo da vida. Ralph Fiennes, Bruno Ganz e Lena Olin, como sempre, estão perfeitos em suas atuações.




Serviço
O Leitor ((The Reader)
Origem: EUA/2008
Direção de Stephen Daldry.
Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, Bruno Ganz.
Censura: 16 anos.
Cotação: ****1/2

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Nada de novo em Operação Valquíria
















A conspiração dos militares alemães para assassinar Adolf Hitler durante a II Guerra, retratada por Brian Singer em Operação Valquíria não tem maiores atrativos além de seu elenco milionário, encabeçado por Tom Cruise como o coronel Claus von Stauf­fenberg, responsável por levar a cabo o assassinato de Hitler, em julho de 1944, quando se desenhava a irreversível derrocada da Alemanha na II Guerra. A história dá conta de que a operação foi um fracasso e que todos os oficiais envolvidos foram executados em 20 de julho de 1944. Além de Cruise, o filme tem no núcleo do complô, militares de alta patente, como o marechal Henning von Tresckow (Kenneth Branagh) e os generais Friedrich Olbricht (Bill Nighy) e Ludwig Beck (Terence Stamp). A tentativa de mandar Hitler pelos ares, junto com seu estado-maior, plantando uma bomba no bunker, em Rastenburg, hoje território da Polônia, também já foi levada as telas em O Plano para Matar Hitler (1990), com Brad Davis no papel do oficial vivido por Tom Cruise. O filme dirigido por Bryan Singer vem se juntar a uma série de novos títulos que endossam o permanente interesse do cinema em mostrar os atores e os episódios de uma das mais odiosas tragédias da história humana.

Nascido na Bavária em 15 de Novembro de 1907, Claus Philip Maria Schenk Graf von Stauffenberg tinha o título de conde e descendia de uma linhagem da nobreza germânica com 700 anos de tradição. Intelectual com gosto pela música, arquitetura e poesia, ele ingressou na carreira militar nos anos 1920 e logo se destacou pela coragem e capacidade de liderança, qualidades que o fizerem ascender rapidamente na hierarquia do exército, tornando-se coronel precocemente. Durante a campanha na África, com a 10ª Divisão Panzer, sofreu sérios ferimentos, perdendo o olho esquerdo, a mão direita e três dedos da esquerda. Nessa época já integrava o oficialato dissidente, que criticava Hitler pelos genocídios contra os judeus, além de seus equívocos militares. Para ele, o massacre de civis era inadmissível em uma guerra.

Desde clássicos O Grande Ditador (1940), clássico dirigido e protagonizado por Charles Chaplin , Sabotador (1942) e Casablanca (1943), Hollywood vem retratando o nazismo e seus vilões – não raramente interpretados por grandes atores como Orson Welles -O Estranho- , Marlon Brando -Os Deuses Vencidos- e Maximilian Schell-A Cruz de Ferro. Além de Hollywood, o cinema internacional também vem contribuindo cada vez mais com outras visões sobre o horror hitlerista. E produções recentes destacaram-se justamente no Oscar.


Em 2004, A Queda - Os Últimos Dias de Hitler-, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mostrava como Adolf Hitler, trancado com seu alto comando em um bunker na Berlim já sitiada pelos soviéticos, ainda acreditava na vitória alemã. O diretor alemão Oliver Hirschbiegel baseou-se em pesquisas do historiador Joachim Fest e em um livro de Traudl Junge – tema do documentário Eu Fui a Secretária de Hitler (2002).O grande ator suíço Bruno Ganz está magnífico no papel do tirano, expressando com intensidade os instáveis estados de ânimo de seu personagem. Já o austríaco Os Falsários, sobre prisioneiros obrigados a falsificar documentos bancários em um campo de concentração, levou a estatueta de melhor filme estrangeiro em 2008, enquanto Katyn, do mestre Andrzej Wajda, a respeito de um massacre de poloneses durante a ocupação alemã, concorreu ao mesmo prêmio no ano passado.

O cinema já provou também que o nazismo não acabou com a rendição assinada pela Alemanha no dia 8 de maio de 1945. Os crimes e a ideologia racista difundida por Hitler e seus asseclas assombram a humanidade ainda hoje. Maratona da Morte (1976) e Os Meninos do Brasil (1978), estrelados respectivamente por Laurence Olivier e Gregory Peck, mostram a impunidade dos monstros nazistas ainda perpetrando crimes – o médico Josef Mengele, encarnado no cinema por Peck, morreu em São Paulo em 1979.

Em O Segredo de Berlim (2006), Steven Soderbergh cria um thriller sobre a ajuda clandestina dos EUA a chefes nazistas no pós-II Guerra. Já o excelente filme francês A Questão Humana (2007) aproxima a lógica do nazismo das modernas técnicas de gestão empresarial.

Entender como pessoas comuns tornaram-se cúmplices dos crimes do nazismo e mostrar como alguns resistiram ao regime são temas que começaram a aparecer no cinema só recentemente. Em A Lista de Schindler (1993) – vencedor de oito Oscar, incluindo melhor filme e direção –, Steven Spielberg contou a história verídica de um empresário alemão simpatizante do nazismo que acabou salvando 1,1 mil judeus da morte.
Uma Mulher Contra Hitler (2005) revelou a história de Sophie Scholl, militante alemã antinazista presa pela Gestapo. A Espiã (2006) mostra a Resistência na Holanda e a cooptação de um oficial alemão por uma agente judia.



Até o super valorizado O Leitor -- que teve cinco indicações ao Oscar deste ano-- traz uma de uma história de fundo emocional sobre os ecos da II Guerra. Entre vaivéns no tempo, mostra-se a relação de Hanna Schmitz (Kate Winslet) e Michael Berg (David Kross e Ralph Fiennes se alternam no papel). Em 1958, esse adolescente de 15 anos perde a virgindade com Hanna (Kate), uma cobradora de bonde 18 anos mais velha. Entre uma transa e outra, Michael lê para a amada, clássicos da literatura. Tempos depois, já separados, ele a reencontra num tribunal. Hanna, uma ex-guarda nazista, está sendo julgada por crimes de guerra.

Dirigido pelo brasileiro Vicente Amorim, Um Homem Bom acompanha a gradual transformação de um pacato professor de literatura em ideólogo do nazismo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Um fábula sombria e comovente

O Curioso Caso de Benjamin Button é um espetáculo cinematográfico sobre sincronicidade, sobre a relação física no tempo e no espaço entre aquilo que se deseja e aquilo que se faz para realizar sonhos. Todo o filme comprova o fato de que a vida não é medida em minutos. A vida é medida em momentos.











Gostei imensamente de O Curioso Caso de Benjamim Button, filme de David Fincher que vi na sexta-feira, dia de estréia, na sala 5 do Grupo Severiano Ribeiro, no Flamboyantt Shopping Center. O filme me marcou profundamente porque apesar de celebrar a vida, fala o tempo inteiro de morte e nos dá uma lição ao provar que as experiências de vida nos mostra que quanto mais a gente ama, mais tem a certeza de que um dia vai perder tudo aquilo. É doloroso, mais inevitável.Benjamin Button foi criado nos anos 20 pela mente de F. Scott Fitzgerald , o autor de O Grande Gatsby e O Último Magnata. Fitzgerald foi inspirado por um pensamento de Mark Twain (1835-1910) na qual o autor de Huckleberry Finn dizia que " a vida seria infinitamente mais feliz se nós pudéssemos nascer com a idade de 80 anos e gradualmente nos aproximássemos dos 18. Benjamim Button é um homem que nasce velho e morre bebê.
Ao transportar o conto para ás telas de cinema, David Fincher, o diretor de Seven (1995), Clube da Luta (1999) e Zodíaco (2007) consegue superar seus trabalhos anteriores com um drama talhado para conquistar várias estatuetas no próximo Oscar. Além de bastante comovente, a história é de uma originalidade ímpar. São quase três horas de duração, que passam batidas, para narrar a tal curiosa trajetória de Benjamin (Brad Pitt). Em 1918, a mãe de um bebê morre no parto e o pai, atordoado com suas feições, deixa o filho na porta de Queenie (Taraji P. Henson), dona de uma pensão para a terceira idade em Nova Orleans. Ela adota a criança, que, embora nascida com aparência de um idoso, remoça, surpreendentemente, com o passar dos anos. Durante décadas, Benjamin vai conhecer prazeres e dissabores da vida. A paixão pela bailarina Daisy (Cate Blanchett) o acompanha por muito tempo.
Vivendo uma vida de trás para frente, Benjamin, magistralmente interpretado por Brad Pitt, combine a experiência da maturidade com a vitalidade de um corpo jovem e sadio mas logo descobbre que sua vida não é ou será diferente do ciclo imposto pela natureza e, a despeito da especulação científica e filosófica que inspirou o conto de Fitzgerald , ela passa o tempo todo se preparando para a morte, ou rodeado dela.
Enquanto os anos passam, Benjamin fica mais novo. Seu cabelo cresce, suas rugas desaparecem aos poucos e seu físico se torna mais vigoroso. Em meio a isso, ele conhece figuras como um pigmeu, um capitão de barco com quem viaja o mundo e a mulher de um diplomata que sonha em cruzar o Canal da Mancha a nado (interpretada por Tilda Swinton). Com ela, o protagonista - então com aparência de uns 60 anos - dá o seu primeiro beijo.
Fincher constrói drama de primeira. Para isso, vai do cômico ao trágico. Ou, frequentemente, mistura os dois – o homem senil, por exemplo, que insiste em dizer que foi atingido sete vezes por um raio, é sempre cortado por divertidas imagens de como isso teria ocorrido. No extremo da tragédia vamos encontrar o Benjamin Button no fim da vida, com cara de adolescente, sendo diagnosticado com a demência típica de muitos idosos – uma condição que conhecemos no mundo real, transformada em algo chocante pela idade aparente da personagem
Mas o amor da vida de Benjamin é Daisy (Cate Blanchett), uma menina que ele conhece na infância. Enquanto ele fica mais novo, ela envelhece. A diferença física entre os dois é sempre bastante visível, até que, em um determinado ponto, os dois finalmente atingem idades parecidas. Só que não terão o prazer de passar a velhice juntos. Pelo menos não da maneira convencional. A paixão é interrompida pela inversão do ciclo natural da vida e a única certeza que perece ficar dessa experiência – além da resignada Daisy dizer que todos usam fraldas nos extremos de suas vidas – é a de que não há escapatória: seja por onde começar, uma vida vai passar, inexoravelmente, por alegrias, descobertas, conquistas e perdas.
Benjamin amadurece com uma tranqüilidade que poucos conhecem em relação à perda. Ele vem de um mundo de pessoas em paz com sua própria mortalidade, portanto não há muita coisa que o assuste.Cada pessoa que conhece é transitória; cada minuto com elas pode ser seu último momento. Mesmo assim, nenhuma dessas pessoas é histérica; todos se satisfazem com o que têm. Portanto, ainda muito jovem, os aspectos mais profundos da morte lhe eram familiares. Ela chega para todos, e nós passamos as nossas vidas focados em outras coisas para evitar pensar sobre essa inevitabilidade. Seu andar para trás só o torna mais consciente de que não podemos nos agarrar às coisa.



As perdas de Button e de Daisy me fizeram pensar muito na perda mais importante de minha vida. Minha mãe, que faleceu no dia 30 de novembro. Em um determinado momento do filme, Button diz que Deus leva as pessoas que a gente ama para a gente ver se consegue ser feliz sem elas. Com a perda de minha mãe, uma pessoa que determinou minha formação de várias formas, que era meu Norte, perdi também a bússola da vida. O vazio que ficou me faz pensar que hoje não preciso mais tentar agradar alguém ou reagir contra algo. Estou verdadeiramente só sobre varios aspectos.
Mas também entendi que como diz a personagem Tizzy ( Mahershalhashbaz Ali), a gente sabe que pode ter as coisas por certo tempo e que depois é preciso deixá-las ir. Podemos tirar o melhor proveito delas enquanto estão por aqui, porém nunca serão nossas. O filme é assim, fala de mortes, perdas e lutos e, ao fazê-lo, acaba construindo, na verdade, uma poderosa representação dos fluxos da vida.
O filme não tem deslizes na técnica. Da maquiagem à direção de arte, notam-se calculadamente os caprichos da produção. Fotografia, maquiagem e cenografia impecáveis fazem com que O Curioso Caso de Benjamin Button" lembre em muitos momentos os filmes do francês Jean-Pierre Jeunet,Eterno Amor e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain). A narrativa também se assemelha a Forrest Gump (1994), o que é compreensível considerando que o roteirista de ambos os filmes - Eric Roth - é o mesmo.



O conto original
Publicado em 1921 e mais tarde reunido à antologia Contos da Era do Jazz, a história original de Benjamin Button imaginada por F. Scott Fitzgerald tem o tom de uma fantasia cômica e por fim melancólica, mas bem menos romântica do que o filme.
Fitzgerald concentra-se em imaginar com humor as consequências de um homem que vivesse a vida ao contrário. Benjamin nasce em Baltimore, em 1860, com uma longa barba e o aspecto de um homem pequeno e encarquilhado de 70 anos. O pai, um empresário respeitável, o obriga a pelo menos raspar a barba para parecer uma criança – estranha, mas ainda assim uma criança. Benjamin já nasce falando, prefere conversar com o avô e filar cigarros do pai a brincar.
A história romântica que ocupa o centro do filme tem papel menor no conto. Benjamin casa com Hildegard, ama-a, tem filhos e progressivamente se desinteressa dela à medida que vai ficando mais jovem e ela, mais velha.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Globo de Ouro consagra ingleses















Já está se tornando rotina o fato dos artistas ingleses levarem a melhor nas festas de premiação do cinema mundial, pelo menos em se tratando de festa hollywoodianas ( Festival de Cannes, Veneza e Berlim são bem diferentes). Não foi diferente no domingo, mas premiações do Globo de Ouro. Os ingleses se destacam mais uma veza vitória notável do filme Slumdog Millionaire, produção britânica de verniz independente de Danny Boyle ( Cova Rasa, Trainspotting, Extermínio, Sunshine). Ganhou Melhor Filme (Drama), Diretor, Trilha Original (A.R. Rahman) e Roteiro (Simon Beaufoy). A também inglesa Kate Winslet levou para casa dois Globos. O longa de Boyle, cineasta revelado no cult Trainspotting (1996) e que vinha da cerebral ficção científica Sunshine– Alerta Solar, chegou ao Globo de Ouro referendado por vitórias em prestigiadas premiações prévias, como a da National Board of Review, a associação do críticos americanos.

O Globo de Ouro é um ótimo termômetro para a festa maior do cinema americano, o Oscar, mas apesar do tradição mais conservadora do Oscar diante de pequenos filmes que se tornam fenômenos – como recentemente foram Juno e Pequena Miss Sunshine –, as chances de Slumdog Millionaire, ainda sem previsão de estreia no Brasil, na briga por estatuetas são boas. A começar pelo longa ser da categoria drama, a mais séria do Globo de Ouro, e ter batido concorrentes como o político Frost/Nixon, o amargo e romântico Foi Apenas um Sonho e a fábula fantástica O Curioso Caso de Benjamin Button. Slumdog Millionaire vem se destacando desde sua estreia no último Festival de Toronto, onde levou o prêmio do público.

Kate Winslet saiu com dois globos - Melhor Atriz (Drama) por Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road), dirigido pelo marido Sam Mendes, diretor de Beleza Americana, e, que contracena com Leonardo Di Caprio, e ainda ganhou, no início da noite, o prêmio da categoria de Atriz Coadjuvante por The Reader, drama que tem como base temática o Holocausto.

Hiperventilando e dando o tipo de espetáculo das grandes emoções de microfone que normalmente temperam com sabor sem gosto esse tipo de premiação, Winslet pediu desculpas a Merryl Streep (indicada por Mamma Mia!), Anne Hathaway (Rachel Vai se Casar), Kristin Scott Thomas (Il y a Longtemps que je t'aime) Angelina Jolie,(A Troca), de Clint Eastwood. Outra inglesa, Sally Hawkins de Happy Go Lucky ( Simplesmente Feliz), de Mike Leigh, ganhou Melhor Atriz na categoria Comédia/Musical, também mostrou-se sem fôlego no palco. O reconhecimento de Hawkins começou em fevereiro do ano passado no Festival de Berlim, onde ganhou melhor Atriz pelo trabalho no ótimo filme de Leigh.

Outro inglês que fez sucesso em noite de Globo de Ouro foi Tom Wilkinson, por John Adams, que ficou com a prêmio Ator coadjuvante por série, minissérie e filme para TV pelo filme John Adams. E Colin Farrell ficou com o prêmio de melhor ator de comédia ou musical – Colin Farrell, por Na Mira do Chefe





Outros prêmios

Woody Allen começa a fechar o círculo de um dos seus filmes mais bem sucedidos de toda a sua carreira, aos 73 anos, Vicky Cristina Barcelona, que ganhou Melhor Filme categoria Comédia/Musical. Woody não estava presente. Valsa Com Bashir, impactante filme isralense de Ari Folman, ganhou Filme Estrangeiro. Heath Ledger, que faleceu há quase um ano via overdose acidental de remédios controlados, foi de fato o vencedor na categoria Melhor Ator Coadjuvante pelo seu trabalho como o Coringa, em Batman - O Cavaleiro das Trevas.

Mickey Rourke, astro dos anos 80 (Nove Semanas e Meia de Amor) ganhou o Globo de Melhor Ator por The Wrestler, filme de Darren Aronofsky ganhador do Leão de Ouro Festival de Veneza. A vitória de Rourke, que ressurge com aparência facial misteriosamente mudada é o tipo de coisa que Hollywood adora, o chamado comeback, e o discurso dele chamou a atenção , com o ator falando de solidão e cachorros.


CINEMA

Melhor filme em drama – Slumdog Millionaire, de Danny Boyle

Diretor – Danny Boyle, por Slumdog Millionaire

Ator de drama – Mickey Rourke, por O Lutador

Atriz de drama – Kate Winslet, por Foi Apenas um Sonho

Melhor filme em comédia ou musical – Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen

Ator de comédia ou musical – Colin Farrell, por Na Mira do Chefe

Atriz de comédia ou musical – Sally Hawkins, por Simplesmente Feliz


Atriz coadjuvante – Kate Winslet, por The Reader

Ator coadjuvante – Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas

Filme em língua estrangeira – Waltz With Bashir, de Israel

Animação – Wall-E

Roteiro – Slumdog Millionaire

Trilha sonora – Slumdog Millionaire

Canção – The Wrestler, de Bruce Springsteen


TELEVISÃO

Melhor série em drama – Mad Men

Ator de série em drama – Gabriel Byrne, por In Treatment

Atriz de série em drama – Anna Paquin, por True Blood

Série em comédia ou musical – 30 Rock

Ator em série de comédia ou musical – Alec Baldwin, por 30 Rock

Atriz em série de comédia ou musical – Tina Fey, por 30 Rock

Minissérie ou filme para TV – John Adams

Ator em minissérie ou filme para TV – Paul Giamatti, por John Adams

Atriz em minissérie ou filme para TV – Laura Linney, por John Adams

Ator coadjuvante por série, minissérie e filme para TV – Tom Wilkinson, por John Adams

Atriz coadjuvante em série, minissérie e filme para TV – Laura Dern, por Recount

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Onde o mau-caratismo tem vez


Quem em Hollywood teria a ousadia de misturar pessoas de meia-idade passando por crises profissionais, pessoais e sexuais, questões de segurança nacional e namoros pela internet ? Ethan e Joel Coen naturalmente. Somente os realizadores de Gosto de Sangue, Fargo e do oscarizado Onde Os Fracos Não Tem vez poderiam colocar em cena Brad Pitt no papel de um imbecil cabeça-oca viciado em Gatorade, chiclete e iPod. Ou de transformar George Clooney em uma pessoa burra, fazendo burrices que envolvem sexo e outras coisa. Ou Frances McDormand achando que valia a pena mostrar suas deficiências físicas...



Quem viu Queime Depois de Ler sabe do que estou falando. O mais recente trabalho de Ethan e Joel Cohen é o que se pode chamar literalmente de filmaço, uma comédia disfarçada como filme de espionagem, onde, a exemplo de Fargo, os irmãos cineastas investigam o lado negro do ser humano, seja da alma, do coração ou mesmo da moral (ou falta de moral). Os personagens em cena fazem de tudo para conseguirem o que querem, ou seja, dinheiro e sexo.O elenco do filme é o que se poderia chamar de milionário, se ele não estivesse trabalhando para Ethan e Joel Cohen, que, na maioria das vezes, realizam filmes de orçamento modesto.



Foi o prestígio dos cineastas colocou em cena John Malkovich como oex-agente Osbourne Cox que está louco para se vingar da CIA que o demitiu, escrevendo um livro de memórias bombástico. Tilda Swinton, que ganhou o Oscar de Melhor Coadjuvante por Conduta de Risco, interpreta a esposa de Ozzie, Katie, que não vê a hora de livrar-se do marido para ficar com o amante. George Clooney um investigador federal chamado Harry Pfarrer, um cara que não quer muita coisa a não ser manter a sua esposa e algumas amantes, entre elas a mulher de Ozzie..


Já Frances McDormand interpreta Linda Litzke, funcionária de uma academia de ginástica que está de uma boa quantidade de dinheiro para fazer diversas cirurgias plásticas,Brad Pitt é Chad, colega de trabalho de Linda, um carinha que parece burro demais para desejar qualquer coisa. Embora o visual de Linda não a agrade, isso não a impede de encontrar pretendes pouco empolgantes pela Internet enquanto trabalha numa academia. E, como o mundo parece ser pequeno demais, ela conhece Harry (Clooney).É com esses retalhos que os irmãos Coen, que também assinam o roteiro, montam uma rede movida a sexo e ego, que une e separa os personagens. O filme mostra uma sociedade preocupada demais com aparências, enquanto que na vida privada todos padecem de um mau caráter crônico.



É o acaso entrando em cena para fazer com que um CD com a gravação do livro de memória de Ozzie vá parar nas mãos de Linda e Chad. Embora não saibam ao certo o que é aquilo, veem no CD a chance de conseguir dinheiro rápido. Mas como em Fargo ou O Sonho de Cassandra ( de Woody Allen), crime e castigo sempre andam juntos, cadáveres começam a aparecer no filme em sequências pra lá de bizarras e completamente inesperada.



Muito embora os Coens afirmem que seu filme é apenas uma comédia, o espectador percebe facilmente o tom crítico que o filme carrega contra o serviço de inteligência dos Estados Unidos. Com um cinema historicamente crítico ao seu país, os Coen mostram uma CIA completamente atrapalhada, com diretores sem noção do que está acontecendo sob seus próprios narizes. É bom lembrar que há bem pouco tempo, o governo norte-americano passou por uma grande polêmica envolvendo a CIA e a intransigência republicana que pretende grampear os cidadões no combate ao terrorismo.



E como diz o chefão da CIA, " O que aprendemos com isso"???Que é possível se ver humor inteligente nas telas de cinema.



Filme em cartaz no Cine Lumiere Araguaia - Sessões às 17 e 21 horas

Araguaia Shopping - Goiânia