quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Nada de novo em Operação Valquíria
















A conspiração dos militares alemães para assassinar Adolf Hitler durante a II Guerra, retratada por Brian Singer em Operação Valquíria não tem maiores atrativos além de seu elenco milionário, encabeçado por Tom Cruise como o coronel Claus von Stauf­fenberg, responsável por levar a cabo o assassinato de Hitler, em julho de 1944, quando se desenhava a irreversível derrocada da Alemanha na II Guerra. A história dá conta de que a operação foi um fracasso e que todos os oficiais envolvidos foram executados em 20 de julho de 1944. Além de Cruise, o filme tem no núcleo do complô, militares de alta patente, como o marechal Henning von Tresckow (Kenneth Branagh) e os generais Friedrich Olbricht (Bill Nighy) e Ludwig Beck (Terence Stamp). A tentativa de mandar Hitler pelos ares, junto com seu estado-maior, plantando uma bomba no bunker, em Rastenburg, hoje território da Polônia, também já foi levada as telas em O Plano para Matar Hitler (1990), com Brad Davis no papel do oficial vivido por Tom Cruise. O filme dirigido por Bryan Singer vem se juntar a uma série de novos títulos que endossam o permanente interesse do cinema em mostrar os atores e os episódios de uma das mais odiosas tragédias da história humana.

Nascido na Bavária em 15 de Novembro de 1907, Claus Philip Maria Schenk Graf von Stauffenberg tinha o título de conde e descendia de uma linhagem da nobreza germânica com 700 anos de tradição. Intelectual com gosto pela música, arquitetura e poesia, ele ingressou na carreira militar nos anos 1920 e logo se destacou pela coragem e capacidade de liderança, qualidades que o fizerem ascender rapidamente na hierarquia do exército, tornando-se coronel precocemente. Durante a campanha na África, com a 10ª Divisão Panzer, sofreu sérios ferimentos, perdendo o olho esquerdo, a mão direita e três dedos da esquerda. Nessa época já integrava o oficialato dissidente, que criticava Hitler pelos genocídios contra os judeus, além de seus equívocos militares. Para ele, o massacre de civis era inadmissível em uma guerra.

Desde clássicos O Grande Ditador (1940), clássico dirigido e protagonizado por Charles Chaplin , Sabotador (1942) e Casablanca (1943), Hollywood vem retratando o nazismo e seus vilões – não raramente interpretados por grandes atores como Orson Welles -O Estranho- , Marlon Brando -Os Deuses Vencidos- e Maximilian Schell-A Cruz de Ferro. Além de Hollywood, o cinema internacional também vem contribuindo cada vez mais com outras visões sobre o horror hitlerista. E produções recentes destacaram-se justamente no Oscar.


Em 2004, A Queda - Os Últimos Dias de Hitler-, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mostrava como Adolf Hitler, trancado com seu alto comando em um bunker na Berlim já sitiada pelos soviéticos, ainda acreditava na vitória alemã. O diretor alemão Oliver Hirschbiegel baseou-se em pesquisas do historiador Joachim Fest e em um livro de Traudl Junge – tema do documentário Eu Fui a Secretária de Hitler (2002).O grande ator suíço Bruno Ganz está magnífico no papel do tirano, expressando com intensidade os instáveis estados de ânimo de seu personagem. Já o austríaco Os Falsários, sobre prisioneiros obrigados a falsificar documentos bancários em um campo de concentração, levou a estatueta de melhor filme estrangeiro em 2008, enquanto Katyn, do mestre Andrzej Wajda, a respeito de um massacre de poloneses durante a ocupação alemã, concorreu ao mesmo prêmio no ano passado.

O cinema já provou também que o nazismo não acabou com a rendição assinada pela Alemanha no dia 8 de maio de 1945. Os crimes e a ideologia racista difundida por Hitler e seus asseclas assombram a humanidade ainda hoje. Maratona da Morte (1976) e Os Meninos do Brasil (1978), estrelados respectivamente por Laurence Olivier e Gregory Peck, mostram a impunidade dos monstros nazistas ainda perpetrando crimes – o médico Josef Mengele, encarnado no cinema por Peck, morreu em São Paulo em 1979.

Em O Segredo de Berlim (2006), Steven Soderbergh cria um thriller sobre a ajuda clandestina dos EUA a chefes nazistas no pós-II Guerra. Já o excelente filme francês A Questão Humana (2007) aproxima a lógica do nazismo das modernas técnicas de gestão empresarial.

Entender como pessoas comuns tornaram-se cúmplices dos crimes do nazismo e mostrar como alguns resistiram ao regime são temas que começaram a aparecer no cinema só recentemente. Em A Lista de Schindler (1993) – vencedor de oito Oscar, incluindo melhor filme e direção –, Steven Spielberg contou a história verídica de um empresário alemão simpatizante do nazismo que acabou salvando 1,1 mil judeus da morte.
Uma Mulher Contra Hitler (2005) revelou a história de Sophie Scholl, militante alemã antinazista presa pela Gestapo. A Espiã (2006) mostra a Resistência na Holanda e a cooptação de um oficial alemão por uma agente judia.



Até o super valorizado O Leitor -- que teve cinco indicações ao Oscar deste ano-- traz uma de uma história de fundo emocional sobre os ecos da II Guerra. Entre vaivéns no tempo, mostra-se a relação de Hanna Schmitz (Kate Winslet) e Michael Berg (David Kross e Ralph Fiennes se alternam no papel). Em 1958, esse adolescente de 15 anos perde a virgindade com Hanna (Kate), uma cobradora de bonde 18 anos mais velha. Entre uma transa e outra, Michael lê para a amada, clássicos da literatura. Tempos depois, já separados, ele a reencontra num tribunal. Hanna, uma ex-guarda nazista, está sendo julgada por crimes de guerra.

Dirigido pelo brasileiro Vicente Amorim, Um Homem Bom acompanha a gradual transformação de um pacato professor de literatura em ideólogo do nazismo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Um fábula sombria e comovente

O Curioso Caso de Benjamin Button é um espetáculo cinematográfico sobre sincronicidade, sobre a relação física no tempo e no espaço entre aquilo que se deseja e aquilo que se faz para realizar sonhos. Todo o filme comprova o fato de que a vida não é medida em minutos. A vida é medida em momentos.











Gostei imensamente de O Curioso Caso de Benjamim Button, filme de David Fincher que vi na sexta-feira, dia de estréia, na sala 5 do Grupo Severiano Ribeiro, no Flamboyantt Shopping Center. O filme me marcou profundamente porque apesar de celebrar a vida, fala o tempo inteiro de morte e nos dá uma lição ao provar que as experiências de vida nos mostra que quanto mais a gente ama, mais tem a certeza de que um dia vai perder tudo aquilo. É doloroso, mais inevitável.Benjamin Button foi criado nos anos 20 pela mente de F. Scott Fitzgerald , o autor de O Grande Gatsby e O Último Magnata. Fitzgerald foi inspirado por um pensamento de Mark Twain (1835-1910) na qual o autor de Huckleberry Finn dizia que " a vida seria infinitamente mais feliz se nós pudéssemos nascer com a idade de 80 anos e gradualmente nos aproximássemos dos 18. Benjamim Button é um homem que nasce velho e morre bebê.
Ao transportar o conto para ás telas de cinema, David Fincher, o diretor de Seven (1995), Clube da Luta (1999) e Zodíaco (2007) consegue superar seus trabalhos anteriores com um drama talhado para conquistar várias estatuetas no próximo Oscar. Além de bastante comovente, a história é de uma originalidade ímpar. São quase três horas de duração, que passam batidas, para narrar a tal curiosa trajetória de Benjamin (Brad Pitt). Em 1918, a mãe de um bebê morre no parto e o pai, atordoado com suas feições, deixa o filho na porta de Queenie (Taraji P. Henson), dona de uma pensão para a terceira idade em Nova Orleans. Ela adota a criança, que, embora nascida com aparência de um idoso, remoça, surpreendentemente, com o passar dos anos. Durante décadas, Benjamin vai conhecer prazeres e dissabores da vida. A paixão pela bailarina Daisy (Cate Blanchett) o acompanha por muito tempo.
Vivendo uma vida de trás para frente, Benjamin, magistralmente interpretado por Brad Pitt, combine a experiência da maturidade com a vitalidade de um corpo jovem e sadio mas logo descobbre que sua vida não é ou será diferente do ciclo imposto pela natureza e, a despeito da especulação científica e filosófica que inspirou o conto de Fitzgerald , ela passa o tempo todo se preparando para a morte, ou rodeado dela.
Enquanto os anos passam, Benjamin fica mais novo. Seu cabelo cresce, suas rugas desaparecem aos poucos e seu físico se torna mais vigoroso. Em meio a isso, ele conhece figuras como um pigmeu, um capitão de barco com quem viaja o mundo e a mulher de um diplomata que sonha em cruzar o Canal da Mancha a nado (interpretada por Tilda Swinton). Com ela, o protagonista - então com aparência de uns 60 anos - dá o seu primeiro beijo.
Fincher constrói drama de primeira. Para isso, vai do cômico ao trágico. Ou, frequentemente, mistura os dois – o homem senil, por exemplo, que insiste em dizer que foi atingido sete vezes por um raio, é sempre cortado por divertidas imagens de como isso teria ocorrido. No extremo da tragédia vamos encontrar o Benjamin Button no fim da vida, com cara de adolescente, sendo diagnosticado com a demência típica de muitos idosos – uma condição que conhecemos no mundo real, transformada em algo chocante pela idade aparente da personagem
Mas o amor da vida de Benjamin é Daisy (Cate Blanchett), uma menina que ele conhece na infância. Enquanto ele fica mais novo, ela envelhece. A diferença física entre os dois é sempre bastante visível, até que, em um determinado ponto, os dois finalmente atingem idades parecidas. Só que não terão o prazer de passar a velhice juntos. Pelo menos não da maneira convencional. A paixão é interrompida pela inversão do ciclo natural da vida e a única certeza que perece ficar dessa experiência – além da resignada Daisy dizer que todos usam fraldas nos extremos de suas vidas – é a de que não há escapatória: seja por onde começar, uma vida vai passar, inexoravelmente, por alegrias, descobertas, conquistas e perdas.
Benjamin amadurece com uma tranqüilidade que poucos conhecem em relação à perda. Ele vem de um mundo de pessoas em paz com sua própria mortalidade, portanto não há muita coisa que o assuste.Cada pessoa que conhece é transitória; cada minuto com elas pode ser seu último momento. Mesmo assim, nenhuma dessas pessoas é histérica; todos se satisfazem com o que têm. Portanto, ainda muito jovem, os aspectos mais profundos da morte lhe eram familiares. Ela chega para todos, e nós passamos as nossas vidas focados em outras coisas para evitar pensar sobre essa inevitabilidade. Seu andar para trás só o torna mais consciente de que não podemos nos agarrar às coisa.



As perdas de Button e de Daisy me fizeram pensar muito na perda mais importante de minha vida. Minha mãe, que faleceu no dia 30 de novembro. Em um determinado momento do filme, Button diz que Deus leva as pessoas que a gente ama para a gente ver se consegue ser feliz sem elas. Com a perda de minha mãe, uma pessoa que determinou minha formação de várias formas, que era meu Norte, perdi também a bússola da vida. O vazio que ficou me faz pensar que hoje não preciso mais tentar agradar alguém ou reagir contra algo. Estou verdadeiramente só sobre varios aspectos.
Mas também entendi que como diz a personagem Tizzy ( Mahershalhashbaz Ali), a gente sabe que pode ter as coisas por certo tempo e que depois é preciso deixá-las ir. Podemos tirar o melhor proveito delas enquanto estão por aqui, porém nunca serão nossas. O filme é assim, fala de mortes, perdas e lutos e, ao fazê-lo, acaba construindo, na verdade, uma poderosa representação dos fluxos da vida.
O filme não tem deslizes na técnica. Da maquiagem à direção de arte, notam-se calculadamente os caprichos da produção. Fotografia, maquiagem e cenografia impecáveis fazem com que O Curioso Caso de Benjamin Button" lembre em muitos momentos os filmes do francês Jean-Pierre Jeunet,Eterno Amor e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain). A narrativa também se assemelha a Forrest Gump (1994), o que é compreensível considerando que o roteirista de ambos os filmes - Eric Roth - é o mesmo.



O conto original
Publicado em 1921 e mais tarde reunido à antologia Contos da Era do Jazz, a história original de Benjamin Button imaginada por F. Scott Fitzgerald tem o tom de uma fantasia cômica e por fim melancólica, mas bem menos romântica do que o filme.
Fitzgerald concentra-se em imaginar com humor as consequências de um homem que vivesse a vida ao contrário. Benjamin nasce em Baltimore, em 1860, com uma longa barba e o aspecto de um homem pequeno e encarquilhado de 70 anos. O pai, um empresário respeitável, o obriga a pelo menos raspar a barba para parecer uma criança – estranha, mas ainda assim uma criança. Benjamin já nasce falando, prefere conversar com o avô e filar cigarros do pai a brincar.
A história romântica que ocupa o centro do filme tem papel menor no conto. Benjamin casa com Hildegard, ama-a, tem filhos e progressivamente se desinteressa dela à medida que vai ficando mais jovem e ela, mais velha.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Globo de Ouro consagra ingleses















Já está se tornando rotina o fato dos artistas ingleses levarem a melhor nas festas de premiação do cinema mundial, pelo menos em se tratando de festa hollywoodianas ( Festival de Cannes, Veneza e Berlim são bem diferentes). Não foi diferente no domingo, mas premiações do Globo de Ouro. Os ingleses se destacam mais uma veza vitória notável do filme Slumdog Millionaire, produção britânica de verniz independente de Danny Boyle ( Cova Rasa, Trainspotting, Extermínio, Sunshine). Ganhou Melhor Filme (Drama), Diretor, Trilha Original (A.R. Rahman) e Roteiro (Simon Beaufoy). A também inglesa Kate Winslet levou para casa dois Globos. O longa de Boyle, cineasta revelado no cult Trainspotting (1996) e que vinha da cerebral ficção científica Sunshine– Alerta Solar, chegou ao Globo de Ouro referendado por vitórias em prestigiadas premiações prévias, como a da National Board of Review, a associação do críticos americanos.

O Globo de Ouro é um ótimo termômetro para a festa maior do cinema americano, o Oscar, mas apesar do tradição mais conservadora do Oscar diante de pequenos filmes que se tornam fenômenos – como recentemente foram Juno e Pequena Miss Sunshine –, as chances de Slumdog Millionaire, ainda sem previsão de estreia no Brasil, na briga por estatuetas são boas. A começar pelo longa ser da categoria drama, a mais séria do Globo de Ouro, e ter batido concorrentes como o político Frost/Nixon, o amargo e romântico Foi Apenas um Sonho e a fábula fantástica O Curioso Caso de Benjamin Button. Slumdog Millionaire vem se destacando desde sua estreia no último Festival de Toronto, onde levou o prêmio do público.

Kate Winslet saiu com dois globos - Melhor Atriz (Drama) por Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road), dirigido pelo marido Sam Mendes, diretor de Beleza Americana, e, que contracena com Leonardo Di Caprio, e ainda ganhou, no início da noite, o prêmio da categoria de Atriz Coadjuvante por The Reader, drama que tem como base temática o Holocausto.

Hiperventilando e dando o tipo de espetáculo das grandes emoções de microfone que normalmente temperam com sabor sem gosto esse tipo de premiação, Winslet pediu desculpas a Merryl Streep (indicada por Mamma Mia!), Anne Hathaway (Rachel Vai se Casar), Kristin Scott Thomas (Il y a Longtemps que je t'aime) Angelina Jolie,(A Troca), de Clint Eastwood. Outra inglesa, Sally Hawkins de Happy Go Lucky ( Simplesmente Feliz), de Mike Leigh, ganhou Melhor Atriz na categoria Comédia/Musical, também mostrou-se sem fôlego no palco. O reconhecimento de Hawkins começou em fevereiro do ano passado no Festival de Berlim, onde ganhou melhor Atriz pelo trabalho no ótimo filme de Leigh.

Outro inglês que fez sucesso em noite de Globo de Ouro foi Tom Wilkinson, por John Adams, que ficou com a prêmio Ator coadjuvante por série, minissérie e filme para TV pelo filme John Adams. E Colin Farrell ficou com o prêmio de melhor ator de comédia ou musical – Colin Farrell, por Na Mira do Chefe





Outros prêmios

Woody Allen começa a fechar o círculo de um dos seus filmes mais bem sucedidos de toda a sua carreira, aos 73 anos, Vicky Cristina Barcelona, que ganhou Melhor Filme categoria Comédia/Musical. Woody não estava presente. Valsa Com Bashir, impactante filme isralense de Ari Folman, ganhou Filme Estrangeiro. Heath Ledger, que faleceu há quase um ano via overdose acidental de remédios controlados, foi de fato o vencedor na categoria Melhor Ator Coadjuvante pelo seu trabalho como o Coringa, em Batman - O Cavaleiro das Trevas.

Mickey Rourke, astro dos anos 80 (Nove Semanas e Meia de Amor) ganhou o Globo de Melhor Ator por The Wrestler, filme de Darren Aronofsky ganhador do Leão de Ouro Festival de Veneza. A vitória de Rourke, que ressurge com aparência facial misteriosamente mudada é o tipo de coisa que Hollywood adora, o chamado comeback, e o discurso dele chamou a atenção , com o ator falando de solidão e cachorros.


CINEMA

Melhor filme em drama – Slumdog Millionaire, de Danny Boyle

Diretor – Danny Boyle, por Slumdog Millionaire

Ator de drama – Mickey Rourke, por O Lutador

Atriz de drama – Kate Winslet, por Foi Apenas um Sonho

Melhor filme em comédia ou musical – Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen

Ator de comédia ou musical – Colin Farrell, por Na Mira do Chefe

Atriz de comédia ou musical – Sally Hawkins, por Simplesmente Feliz


Atriz coadjuvante – Kate Winslet, por The Reader

Ator coadjuvante – Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas

Filme em língua estrangeira – Waltz With Bashir, de Israel

Animação – Wall-E

Roteiro – Slumdog Millionaire

Trilha sonora – Slumdog Millionaire

Canção – The Wrestler, de Bruce Springsteen


TELEVISÃO

Melhor série em drama – Mad Men

Ator de série em drama – Gabriel Byrne, por In Treatment

Atriz de série em drama – Anna Paquin, por True Blood

Série em comédia ou musical – 30 Rock

Ator em série de comédia ou musical – Alec Baldwin, por 30 Rock

Atriz em série de comédia ou musical – Tina Fey, por 30 Rock

Minissérie ou filme para TV – John Adams

Ator em minissérie ou filme para TV – Paul Giamatti, por John Adams

Atriz em minissérie ou filme para TV – Laura Linney, por John Adams

Ator coadjuvante por série, minissérie e filme para TV – Tom Wilkinson, por John Adams

Atriz coadjuvante em série, minissérie e filme para TV – Laura Dern, por Recount

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Onde o mau-caratismo tem vez


Quem em Hollywood teria a ousadia de misturar pessoas de meia-idade passando por crises profissionais, pessoais e sexuais, questões de segurança nacional e namoros pela internet ? Ethan e Joel Coen naturalmente. Somente os realizadores de Gosto de Sangue, Fargo e do oscarizado Onde Os Fracos Não Tem vez poderiam colocar em cena Brad Pitt no papel de um imbecil cabeça-oca viciado em Gatorade, chiclete e iPod. Ou de transformar George Clooney em uma pessoa burra, fazendo burrices que envolvem sexo e outras coisa. Ou Frances McDormand achando que valia a pena mostrar suas deficiências físicas...



Quem viu Queime Depois de Ler sabe do que estou falando. O mais recente trabalho de Ethan e Joel Cohen é o que se pode chamar literalmente de filmaço, uma comédia disfarçada como filme de espionagem, onde, a exemplo de Fargo, os irmãos cineastas investigam o lado negro do ser humano, seja da alma, do coração ou mesmo da moral (ou falta de moral). Os personagens em cena fazem de tudo para conseguirem o que querem, ou seja, dinheiro e sexo.O elenco do filme é o que se poderia chamar de milionário, se ele não estivesse trabalhando para Ethan e Joel Cohen, que, na maioria das vezes, realizam filmes de orçamento modesto.



Foi o prestígio dos cineastas colocou em cena John Malkovich como oex-agente Osbourne Cox que está louco para se vingar da CIA que o demitiu, escrevendo um livro de memórias bombástico. Tilda Swinton, que ganhou o Oscar de Melhor Coadjuvante por Conduta de Risco, interpreta a esposa de Ozzie, Katie, que não vê a hora de livrar-se do marido para ficar com o amante. George Clooney um investigador federal chamado Harry Pfarrer, um cara que não quer muita coisa a não ser manter a sua esposa e algumas amantes, entre elas a mulher de Ozzie..


Já Frances McDormand interpreta Linda Litzke, funcionária de uma academia de ginástica que está de uma boa quantidade de dinheiro para fazer diversas cirurgias plásticas,Brad Pitt é Chad, colega de trabalho de Linda, um carinha que parece burro demais para desejar qualquer coisa. Embora o visual de Linda não a agrade, isso não a impede de encontrar pretendes pouco empolgantes pela Internet enquanto trabalha numa academia. E, como o mundo parece ser pequeno demais, ela conhece Harry (Clooney).É com esses retalhos que os irmãos Coen, que também assinam o roteiro, montam uma rede movida a sexo e ego, que une e separa os personagens. O filme mostra uma sociedade preocupada demais com aparências, enquanto que na vida privada todos padecem de um mau caráter crônico.



É o acaso entrando em cena para fazer com que um CD com a gravação do livro de memória de Ozzie vá parar nas mãos de Linda e Chad. Embora não saibam ao certo o que é aquilo, veem no CD a chance de conseguir dinheiro rápido. Mas como em Fargo ou O Sonho de Cassandra ( de Woody Allen), crime e castigo sempre andam juntos, cadáveres começam a aparecer no filme em sequências pra lá de bizarras e completamente inesperada.



Muito embora os Coens afirmem que seu filme é apenas uma comédia, o espectador percebe facilmente o tom crítico que o filme carrega contra o serviço de inteligência dos Estados Unidos. Com um cinema historicamente crítico ao seu país, os Coen mostram uma CIA completamente atrapalhada, com diretores sem noção do que está acontecendo sob seus próprios narizes. É bom lembrar que há bem pouco tempo, o governo norte-americano passou por uma grande polêmica envolvendo a CIA e a intransigência republicana que pretende grampear os cidadões no combate ao terrorismo.



E como diz o chefão da CIA, " O que aprendemos com isso"???Que é possível se ver humor inteligente nas telas de cinema.



Filme em cartaz no Cine Lumiere Araguaia - Sessões às 17 e 21 horas

Araguaia Shopping - Goiânia

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Viva a animação nacional




Longas-metragens de animação dificilmente são produzidos no Brasil e, mais raro ainda, são lançados comercialmente nos cinemas. É bom saber que O grilo azul da animação nacional O Grilo Feliz (2001), de Walbercy Ribas, vive novas aventuras em O Grilo Feliz e Os Insetos Gigantes, que chega hoje aos cinemas e aposta em uma mensagem focada no amplo público consumidor infantil.


O visual 2D do filme anterior é substituído por computação gráfica, ainda bem abaixo das criações da poderosa Pixar, mas bastante eficiente para um orçamento apertado. A trama, que Ribas dirige ao lado de seu filho Rafael, não se trata de uma sequência. O novo filme ganhou contornos mais urbanos do que a primeira animação. Agora, o grilo, que continua adorando a música e a floresta, quer gravar um CD e vai enfrentar alguns problemas de ordem jurídica.

O desejo é o mesmo de um divertido grupo de rap formado por sapos. Todos se unem ao se deparar com a vilã Trambika, que, naturalmente, pirateia as músicas deles.


O filme aborda uma inesperada aventura da luta dos bichos contra a pirataria de CDs. O longa utiliza músicas brasileiras conhecidas e recentes, como Festa, de Ivete Sangalo, e Amor Maior, do Jota Quest, interpretadas, claro, pelo grilo protagonista.



Em cartaz no SR Flamboyant 6 - Sessões às 13h20,15h20,17h20 e 19h10.

70 anos de história






Do começo como cantora de rádio em Santos, passando por atuações em novelas como O Direito de Nascer, Sassaricando, Rainha da Sucata e Terra Nostra até chegar aos dias atuais, são quase 70 anos de história. Lolita Rodrigues abre suas memórias à jornalista Eliana Castro e o resultado pode ser conferido em De Carne e Osso, lançamento da Coleção Aplauso.

A jornalista Eliana Castro abre De Carne e Osso, perfil de Lolita Rodrigues, lançamento da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, relatando seu primeiro contato com a atriz, assistindo Almoço com as Estrelas, programa que Lolita apresentava com o então marido, Airton Rodrigues, nas tardes de sábado, na TV Tupi. Mas sua história começou antes ainda da inauguração da TV Tupi, em 1950, quando foi chamada para substituir Hebe Camargo e cantar o Hino da Televisão Brasileira na festa que marcou o primeiro sinal da televisão no Brasil. Embora sua história se confunda com a história da televisão brasileira, Lolita já dava seus primeiros passos aos dez anos de idade, como cantora do programa Hora Infantil, da Rádio Atlântica de Santos, carreira que a trouxe para programas de rádio da capital paulista.

Nascida Sylvia Gonçalves, descendente de espanhóis, Lolita Rodrigues justifica o título do livro, De Carne e Osso e a fama de ser uma pessoa extremamente simples ao tecer comentários como: “Não me acho melhor que ninguém. Eu sou igual a todo mundo. Esse negócio de celebridade é uma grande bobagem. Quem disse que uma atriz é melhor ou mais importante do que uma dona-de-casa? Cada pessoa tem o seu valor. Cada uma está fazendo o melhor que pode. A vida, para todo mundo, é luta. E cada pessoa luta do seu jeito”.

Começou cantora, mas seu grande sonho foi sempre atuar. Sua sorte foi ter confessado o desejo a Cassiano Gabus Mendes, o primeiro a lhe oferecer algumas oportunidades, pequenos papéis nos teleteatros da Tupi. Aos poucos, Lolita Rodrigues foi conquistando espaço até estrelar, em 1957, O Cordunda de Notre Dame. Desde então, não parou mais.

Ao longo do livro, Lolita Rodrigues desfia recordações de décadas de carreira, revelando detalhes de bastidores de grandes sucessos da teledramaturgia nacional como O Direito de Nascer, de Teixeira Filho, Sassaricando, de Silvio de Abreu, e o remake de A Viagem, de Ivani Ribeiro.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009